Uso racional de MIPs e segurança do paciente: evidências e lacunas na prática farmacêutica
Palavras-chave:
Automedicação, Medicamentos isentos de prescrição, Uso racional de medicamentos, Atenção farmacêuticaResumo
Objetivo: analisar criticamente as evidências sobre a atuação do farmacêutico na promoção do uso racional de medicamentos isentos de prescrição (MIPs), identificando padrões de uso, riscos associados e impactos das intervenções profissionais. Método: revisão integrativa de literatura, com abordagem descritiva, conduzida segundo recomendações PRISMA 2020. Foram incluídos 26 estudos (2016–2025), extraídos das bases PubMed, SciELO e Google Scholar. Aplicaram-se critérios explícitos de elegibilidade, seleção por revisores independentes e síntese narrativa categorial. Resultados: observou-se elevada prevalência de automedicação (até 78,4%), com predominância de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides. A produção científica concentrou-se entre 2020–2022, majoritariamente em delineamentos secundários. As evidências indicam associação consistente entre automedicação e eventos adversos, sendo a intervenção farmacêutica um fator protetor relevante. Discussão: a atuação farmacêutica demonstrou impacto positivo na qualificação do autocuidado, embora limitada por fragilidades estruturais e lacunas formativas. Identificou-se discrepância entre disponibilidade de MIPs e a competência de uso racional pela população. Considerações Finais: o farmacêutico é agente central na segurança do paciente e na racionalização do uso de MIPs, demandando fortalecimento de políticas públicas, qualificação profissional contínua e ampliação de serviços clínicos farmacêuticos.
Referências
Vernizi MD, Silva LL. A prática de automedicação em adultos e idosos: revisão de literatura. Rev Saude Desenvolv. 2016;10(5):53-72.
Paula CCS, Campos RBF, Souza MCRF. Uso irracional de medicamentos: uma perspectiva cultural. Braz J Dev. 2021;7(3):21660-21676.
Marinho NS, Meirelles MA. Os riscos associados ao uso de medicamentos isentos de prescrição. Rev Saude Multidiscip. 2021;9(1).
Ruiz JMG, Souza EF, Paiva MJM. A influência da mídia na automedicação do novo coronavírus: revisão de literatura. Res Soc Dev. 2021;10(13):e53101321015. doi:10.33448/rsd-v10i13.21015.
Arrais PSD, et al. Prevalência da automedicação no Brasil e fatores associados. Rev Saude Publica. 2016;50:13s.
Garcia ALF, et al. Automedicação e adesão ao tratamento medicamentoso: avaliação dos participantes do programa Universidade do Envelhecer. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2018;21(6):691-700.
World Health Organization. WHO guideline on self-care interventions for health and well-being. Geneva: WHO; 2022.
Andrade SM, et al. Caracterização do perfil das intoxicações medicamentosas por automedicação no Brasil, durante o período de 2010 a 2017. Res Soc Dev. 2020;9(7):e236973952.
Rodrigues Gomes J, Campos Justino PF. Automedicação: uma prática perigosa em busca de alívio imediato. Iesgo Sci. 2025;1(1). doi:10.5281/zenodo.17576144.
Mota KF, et al. Medicamentos isentos de prescrição: o farmacêutico pode prescrever, mas sabe o que são? Rev OFIL ILAPHAR. 2020;30(1):52-55.
Cordeiro Júnior EM, Abreu T. Atuação do profissional farmacêutico na automedicação. Rev Iberoam Humanid Cienc Educ. 2021;7(9):216-229.
Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 98, de 1º de agosto de 2016. Diário Oficial da União. 2016 Aug 3.
Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 338, de 6 de maio de 2004. Diário Oficial da União. 2004 May 20. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 585, de 29 de agosto de 2013.
Freitas MGB, Silva TMB. Estratégia de atuação do farmacêutico na farmácia comunitária: desafios para a promoção do uso racional de medicamentos. Rev Contemp. 2024;4(10):e6262. doi:10.56083/RCV4N10-161.
Coelho RF, Machado FB. Conhecimento dos farmacêuticos atuantes em drogarias e farmácias sobre a prescrição farmacêutica na cidade de Mineiros-Goiás. Estac Cient (UNIFAP). 2018;8(2):57-68.
Kulikova O.A., Lavrentyeva L.I., Sokolova O.V. O papel do farmacêutico no sistema de uso racional de medicamentos para a automedicação responsável. Medicina e farmácia orientadas para o paciente . 2024; 2 (2): 29–34.
Miranda Filho JP, Andrade Júnior FP, Montenegro CA. Cuidados farmacêuticos e os medicamentos isentos de prescrição: revisão integrativa. Arch Health Investig. 2021;10(1):153-162.
Page MJ, McKenzie JE, Bossuyt PM, Boutron I, Hoffmann TC, Mulrow CD, et al.
The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ. 2021;372:n71.
Oliveira GG, Peder LD. Prevalência de automedicação entre pessoas em uma farmácia no interior do Paraná. Res Soc Dev. 2022;11(14):e348111436291.
Barros GAM, et al. Uso de analgésicos e o risco da automedicação em amostra de população urbana: estudo transversal. Rev Bras Anestesiol. 2019;69(6):529-536.
Santos STS, Albuquerque NL, Guedes JPM. Os riscos da automedicação com medicamentos isentos de prescrição no Brasil. Res Soc Dev. 2022;11(7):e42211730493. doi:10.33448/rsd-v11i7.30493.
Ferreira IS, Carvalho CJS. A influência da propaganda de medicamentos na prática da automedicação: um problema de saúde pública. Braz J Dev. 2021;7:47642-47652. doi:10.34117/bjdv.v7i5.29676.
Alencar GO, Alencar JPO, Paiva LV, Mori E, Mendes RC. Automedicação e seus riscos à saúde durante a pandemia da COVID-19: revisão integrativa. Infarma Cienc Farm. 2022;34(2):120-127.
Mejia CR, Ruiz-Aquino M, Garcia-Arteta G, et al. Factores asociados al uso de medicamentos y automedicación durante la pandemia de COVID-19 en 12 países de América Latina. Heliyon. 2023;10(1):e22299.
Mota MCV, Teixeira dos Santos R, Sousa YM. A atuação do farmacêutico na orientação e impactos do uso indevido de medicamentos isentos de prescrição. Braz J Implantol Health Sci. 2024;6(11):566-583.
Araújo DM, et al. O papel do farmacêutico no controle, orientação e prevenção da automedicação em idosos: revisão da literatura. Res Soc Dev. 2022;11(5):e37211528232.
Silva JCC, Nogueira RPS. A importância da atenção farmacêutica como ferramenta para a promoção do uso racional de medicamentos em idosos em polifarmácia. Res Soc Dev. 2021;10(15):e543101523560.
Melo RC, Pauferro MRV. Educação em saúde para a promoção do uso racional de medicamentos e as contribuições do farmacêutico neste contexto. Braz J Dev. 2020;6(5):32162-32173.
Fernandes EW, Silva GC, Marquez CO. A necessidade da prescrição farmacêutica de MIPs e os problemas automedicação. Scire Salutis. 2021;12(1):17-24.
Barros RD, Aquino R, Souza LEPF. Evolução da estrutura e resultados da atenção primária à saúde no Brasil entre 2008 e 2019. Cien Saude Colet. 2022;27(11):4289-4301.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Educação, Meio Ambiente e Saúde

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
TERMO DE TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS
Transfiro os direitos autorais deste artigo para a REMAS, assim que ele for aceito para a devida publicação eletrônica. Os direitos de autor incluem o direito de reproduzir na íntegra ou em parte por qualquer meio, distribuir o referido artigo, incluindo figuras, fotografias, bem como as eventuais traduções. O autor pode ainda, imprimir e distribuir cópias do seu artigo, desde que mencione que os direitos pertencem à REMAS. Declaro que este manuscrito é original, não tendo sido submetido à publicação, na íntegra ou em partes para outros periódicos online ou não, assim como em Anais de eventos científicos ou capítulos de livros.

